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Mercado legal de ouro movimentará entre 12 e 15 toneladas no ano de 2015

Mercado legal de ouro movimentará entre 12 e 15 toneladas no ano de 2015

DCI 06-04


Investimento no metal foi a melhor aplicação do primeiro trimestre com valorização de 21,1% no período, puxada pela alta de 20,98% da moeda americana e estabilidade do preço internacional

Mercado ilegal de ouro no Brasil negocia cerca de 45 toneladas por ano, o triplo do segmento legalizado

O mercado legal de ouro movimentará entre 12 e 15 toneladas em 2015, limitado pela falta de estoque do metal no mercado físico. Na cotação da última quinta-feira, a R$ 124,5 o grama, representa um valor atualizado entre R$ 1,494 bilhão e R$ 1,867 bilhão.

O metal foi o investimento mais rentável do primeiro trimestre do ano, com alta de 21,1% em reais, e estabilidade do preço internacional em dólar, a US$ 1.184 por onça-troy, medida americana equivalente a 31,1 gramas.

Para as principais corretoras negociadoras de ouro legal, a tendência é de aumento dos preços no mercado doméstico. "As compras por investidores subiram 300%, só não vendo mais porque falta metal na praça", diz o representante da Reserva Metais, Edson Magalhães.

O analista de ouro da corretora Ourominas, Maurício Gaioti, também informou que as vendas do metal dourado dobraram nesse início de 2015. "O preço do ouro rompeu o seu teto no último mês de março, e o mercado passou a enxergar que o ouro vale mais", argumentou.

Segundo ele, o ticket médio da pessoa física fica entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. "Até o teto de R$ 20 mil não tem a alíquota de 15% do imposto de renda, se colocar na ponta do lápis é melhor que LCIs e LCAs [letras de crédito imobiliário e do agronegócio] que podem ter imposto a partir do próximo ano", comparou.

O principal motivo da valorização da commodity metálica no mercado doméstico está relacionado ao aumento de 20,98% da moeda norte-americana no período. Mas há outros fatores que explicam a valorização em 2015.

Nos primeiros dias de abril, a cotação internacional do ouro voltou a avançar para o patamar de US$ 1.202,46 por onça-troy na última quinta-feira, ante US$ 1.184 no fechamento de 31 de março. "O dólar comercial recuou um pouco entre o final de março e 2 de abril (R$ 3,127), mas o aumento do preço internacional do metal foi a variável determinante para o preço do ouro [em reais] aqui", diz Edson Magalhães.

Na avaliação de Gaioti, da Ourominas, também houve uma migração no mercado internacional de investidores de petróleo para o segmento de ouro. "A baixa do preço do barril do petróleo levou investidores internacionais a buscarem a segurança do ouro", disse.

No mercado doméstico, as fortes chuvas na Região Norte do Brasil também prejudicam a mineração. "Há produção ainda na Bahia, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso", diz.

Gaioti acrescentou que houve aumento nos custos de mineração após os recentes reajustes dos combustíveis (diesel). "Os pequenos mineradores param a produção quando o preço cai muito. Ficaria muito ruim se a cotação caísse abaixo de R$ 100, seria catastrófico, uma queda de 16%", afirmou o analista.

Na visão do administrador de investimentos, Fabio Colombo, o investidor de ouro deve estar atento ao mercado internacional. "O preço subiu muito, está mais arriscado comprar depois que o preço já subiu bastante", alertou.

Já Gaioti diz que há um ciclo de alta e que o investidor vai comprar caro para vender mais caro ainda. "É muito difícil sair de R$ 120 e ir para R$ 150, como ocorreu antes quando saiu de R$ 90 e foi a R$ 120. Mas o investidor pode colocar uma trava, vender a R$ 118, pois esse suporte poderá significar uma retração", orientou.

Mas na avaliação de Magalhães, o investidor de ouro possui perfil de longo prazo, compra para entesourar (guardar). "O pessoal que comprou em 2002, a R$ 40, agora que está vendendo. Quem comprou a R$ 75 e a R$ 80 em 2009, ainda nem se mexeu, não pegou o telefone nem para perguntar o preço atual. O pessoal compra para guardar, ninguém vem vender de volta", afirma.

Magalhães contou que o ouro financeiro está sendo negociado com ágio entre 0,5% e 1% na BM&FBovespa. "Ágio não é comum, não tem mais volume porque está em falta. Não tenho dúvida nenhuma que o mercado é para cima."

Ele minimizou a baixa do dólar nos últimos 4 pregões. "É a calmaria antes do tsunami. Nossa previsão do dólar para o final do ano foi revisada para R$ 3,70. Se mantida a estabilidade do ouro lá fora, isso pode gerar uma valorização expressiva do metal aqui [no Brasil]".

Na mesma linha, Gaioti lembrou que o Banco Central brasileiro encerrou o programa de swaps (trocas) cambiais, equivalente a venda de dólares no mercado futuro. "O governo não vai fazer mais swap, o dólar vai flutuar", argumentou o analista da Ourominas.

 

Publicação: DCI
Data: 06 de abril de 2015
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